O dólar recua em relação ao real após o salto recente; Comentários do Fed permanecem no radar

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Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar estava caindo em relação ao real na manhã de segunda-feira, após registrar forte alta no último pregão devido a comentários ásperos sobre a inflação nos EUA de um funcionário do Federal Reserve.

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Às 10h11, o dólar recuava 0,63%, para 5,0397 reais na venda. O dólar futuro negociado no B3 caiu 0,99%, para 5,0455 reais.

No exterior, o dólar também apresentou quedas modestas, rendendo cerca de 0,15% frente a uma cesta de moedas fortes. Rand sul-africano e peso mexicano, dois dos principais pares de moedas, trabalharam com ganhos na segunda-feira.

Em nota, Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, disse que “os ativos de risco estão iniciando a sessão em tom de recuperação, ganhando força após a correção promovida na semana passada em resposta ao Federal Reserve”.

Na sexta-feira, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse que a inflação nos Estados Unidos está mais intensa do que o esperado. Ele também disse que estava entre sete funcionários do banco central dos EUA que esperam que medidas mais agressivas – como um aumento nas taxas de juros no próximo ano – reduzam as pressões sobre os preços.

Na esteira de seus comentários, a moeda à vista dos EUA subiu 0,92% em relação ao real na sexta-feira, aos 5,0712 reais à venda.

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Juros mais elevados nos EUA tendem a favorecer a moeda norte-americana com a entrada de recursos de investidores que buscam maior rentabilidade e, ao mesmo tempo, segurança.

“Ao longo da semana, o Federal Reserve deve se manter em foco, com o mercado avaliando discursos de alguns dos formuladores de política monetária norte-americanos”, disse Beyruti, que também destacou a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.

Na semana passada, o BC promoveu a terceira alta consecutiva de 0,75 ponto percentual da taxa Selic, para 4,25%, e anunciou a intenção de dar continuidade ao aperto monetário com nova alta, pelo menos, da mesma magnitude em sua próxima reunião.

Com a divulgação da ata da reunião, “o Banco Central poderá explicar com mais detalhes seu cenário básico e os riscos para a política monetária”, avaliaram em nota matutina analistas do Bradesco. “O mercado estará atento à leitura do BC sobre a inflação (tanto atual quanto as expectativas) e atividade e buscará sinais sobre seus próximos passos, depois que a autoridade monetária indicar uma normalização completa da taxa de juros”.

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A projeção para a taxa Selic no final deste ano voltou a subir na pesquisa Focus semanal do Banco Central. O mercado agora vê a Selic em 6,50% ao final de 2021, ante 6,25% na pesquisa anterior. Para 2022, permanece a projeção de que a taxa fique em 6,50%.

Um maior diferencial de taxa de juros entre o Brasil e os países de economia avançada tende a beneficiar o real, principalmente por conta de estratégias de carry trade. Eles consistem em tomar empréstimos na moeda do país de juros baixos e comprar contratos futuros da moeda de juros mais altos (como o real). O investidor ganha assim com a diferença de taxas.

Nesta sessão, o Banco Central realizará leilão de swap tradicional para rolagem de até 15.000 contratos com vencimento em dezembro de 2021 e abril de 2022.