Filhos de Vieira isenta de IMI após oferta de bilhetes ao Centeno

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Olivier Hoslet / EPA

Cerca de uma semana depois de Mário Centeno ter pedido ao Benfica bilhetes para o jogo com o FC Porto, a 1 de abril de 2017, os filhos de Luís Filipe Vieira, presidente do Clube da Luz, receberam uma isenção fiscal do Ministério das Finanças.

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A notícia é avançada pelo Correio da Manhã, que afirma que a Polícia Judiciária está a investigar o caso, a partir de um email enviado pelo filho do presidente do Benfica, James Vieira.

“Pai, cante aqui !!! Sem o seu empurrão, não iríamos lá “, aqui está o conteúdo do email em questão, cita o CM, referindo que esta mensagem, enviada a 24 de março de 2017, é o agradecimento de Tiago Vieira ao seu pai pela sua “influência” no processo que conduziu à isenção do pagamento da Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) de edifício familiar.

Este e-mail, entre outros, já tinha sido publicado pela revista Sábado em setembro de 2017, mas nessa altura Mário Centeno ainda não tinha conhecimento do pedido de bilhetes para o Benfica.

Poucos dias antes deste e-mail, Tiago Vieira havia lamentado ao pai a morosidade do processo que se desenrolava nas Finanças. O caso envolve um construção de família propriedade da sociedade de compra e venda de bens imobiliários Realitatis, que é presidida pela filha de Luís Filipe Vieira, Sara Vieira.

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Filhos de vieira pretendia vender o imóvel, mas não conseguiam por falta de isenção do IMI, adianta o CM.

Mário Centeno pediu dois bilhetes, um para si e outro para o filho, para ver o Benfica-FC Porto na época passada, conforme confirmado pelo gabinete do ministro das finanças.

Um comportamento que pode violar o Código de Conduta do Governo, aprovado na sequência do denominado caso “Galpgate”, que envolve viagens pagas a funcionários públicos para assistir a jogos da Selecção Nacional.

Segundo esclarecimento do gabinete de Mário Centeno, a “notoriedade pública” do ministro “exige a sua participação em eventos públicos, como jogos de futebol, no que diz respeito ao garanta sua segurança pessoal“.

Assim, “foi neste contexto que foram solicitados dois acessos” à bancada presidencial do estádio do Benfica, para o jogo em questão, disse a mesma fonte.

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“Os acessos em questão, que eram para assistir ao jogo na galeria presidencial, não são comercializáveis, por isso não tem um preço de venda definido“, Também se lê no esclarecimento do gabinete do ministro.

Em reação ao caso, o primeiro-ministro já disse que “não há polêmica”. “Se o fez é porque tinha certamente boas razões para o fazer”, atesta António Costa.