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Folhapress

Do Bronx supera o longo caminho até o cinturão do UFC, mas não consegue parar

GUARUJÁ, SP (FOLHAPRESS) – Charles de Oliveira da Silva, 31, Charles do Bronx, é tão espontâneo para responder a quem cuida dele após a conquista do inédito cinturão dos leves do UFC (até 70,3 kg) do Campeonato Mundial de Luta) e o estilo. se impõe ao octógono. ?? As pessoas já precisam saber: eu não fiquei rico, não. Posso comer boa comida, trato bem os meus pais, mas isso é hoje. Se eu parar de lutar por seis meses, não consigo mais me sustentar ”, diz ao jornal Folha de S.Paulo. A conquista inédita veio no último sábado (15), após vencer o americano Michael Chandler, no Toyota Center, em Houston, nos Estados Unidos. Mesmo como campeão, ele ainda tem patrocínios modestos em comparação com outros grandes lutadores que alcançaram o mesmo feito. Somente na premiação do UFC na história, o irlandês Connor McGregor arrecadou mais de $ 15 milhões ($ 63 milhões). Charles, agora, quer olhar. ?? Quem me pergunta eu já digo: olha o tempo que demorou, olha a minha história agora ??, completo. Do Bronx, apelido que carrega com orgulho da comunidade em que nasceu, em Vicente de Carvalho, distrito do Guarujá, litoral sul de São Paulo, chorava copiosamente, como um menino, com o rosto escondido pela camisa como se não acreditasse na espera do anúncio e do tão esperado cinturão. ??Quanto você quer? Quanto você está disposto a pagar por isso? Estou com pontos, dor na perna, sofri com lesões graves na carreira, patrocinadores que nunca vieram … mas nunca tive medo. Sempre esperei em Deus ??, relata o lutador. Resiliência era o segredo para ele. Só no UFC, foram quase 11 anos, 3.940 dias e 28 lutas desde a estreia, em 1º de agosto de 2010, para chegar ao topo. Ninguém na história do principal organizador de eventos de MMA do mundo chegou até agora para conquistar. A disputa, aliás, só aconteceu porque o trono dos leves está vago desde a aposentadoria do russo Khabib Nurmagomedov, que deixou os octógonos no último mês de outubro com 29 vitórias e nenhuma derrota no currículo, após prometer à mãe que o faria não lutar novamente após a morte de seu pai e treinador, Abdulmanap Nurmagomedov. Atualmente, além do título do Bronx, o país tem três cinturões na modalidade: um do paraense Deiverson Figueiredo, no peso mosca masculino, e dois da baiana Amanda Nunes, campeã peso galo e pena. ?? Foi um sonho pessoal meu. Vi minha mãe parar de pagar luz, já tínhamos apenas o necessário para comer. Foi uma guerra. Nasci e cresci na comunidade, quem mora sabe das dificuldades que temos passado. De 30 amigos, 20 vão para o crime. Eu conheço muita gente na vida errada ??, diz ele. O esporte era mais do que uma rota de fuga do crime para Charles. Diagnosticado com febre reumática e sopro cardíaco na infância, entrou no esporte como ?? terapia ?? para evitar a previsão médica de que ele poderia parar de andar. Começou a respirar jiu-jitsu e a viver um aperfeiçoamento técnico desde então. A comunidade, porém, nunca deixou seu coração. Existem momentos constantes em que ele diz isso ?? a favela ganhou ??. Na academia que foi inaugurada em Vicente de Carvalho, há uma das frases de que mais gosta perto do tapete principal, gravada em negrito: ?? todos nossos, nenhum deles ??. ?? Isso aconteceu porque queremos tudo, queremos ganhar tudo. O ?? deles ?? é voltado para o adversário, precisamos sempre querer mais do que quem está na nossa frente ??, explica. Mesmo sendo um dos principais nomes brasileiros do esporte, ele ainda acumula funções. Comande pelo menos um treinamento diário. ?? Quando montei a academia, foi um sonho que se tornou realidade. As pessoas querem ser como eu, isso é demais. Eu digo: ?? como eu não, você é melhor ??. E Charles não é rico, você precisa disso ?? A maior lição que ele dá é para que os jovens nunca percam a sua essência, não se esqueçam de onde vieram. ?? Falo muito para que meus alunos nunca voltem as costas à comunidade ”, diz. Charles tem atualmente seis contratos com patrocinadores, alguns de valores ainda modestos, entre eles empresas de suplementação que o auxiliam com materiais esportivos. Não é fã de” papo furado “, técnica usada pelos lutadores para desestabilizar mentalmente os adversários, envolveu-se em duas polêmicas recentes, a principal em resposta a McGregor, que o parabenizou pelo título em tom irônico, dizendo que em breve haveria um novo campeão da categoria. ?? Conor, se preocupe com Dustin Poirier [próximo adversário do irlandês], aí a gente conversa, Já que você é tão valente, bata no Dustin e venha lutar comigo no Brasil. Você vai cair sentado ?? ele disse na época. ?? Não me arrependo, mas não gosto de conversar. Este não sou eu. Você só leva o que você quer em seu coração. Você quer ver uma luta? Quer ver um show? Coloque Charles para lutar, eu apenas ando em frente. Posso perder, mas sempre tento isso. ?? Para a conquista, ele espera ter acordado diariamente às 6h30 e chegado em casa às 22h30 nos últimos meses, devido aos treinamentos em São Paulo e Guarujá, conciliando com as aulas diárias de seus alunos. Com contrato renovado e com mais três lutas garantidas, ele espera muito mais do que o cinturão. ?? Agora quero quebrar mais recordes ?? A comunidade e Charles, de fato, já venceram.

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