Deputado acusa líder da UNITA de financiar campanhas nas redes sociais

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O ex-deputado da UNITA David Mendes acusou hoje o líder do maior partido da oposição angolana, Adalberto da Costa Júnior, de ser o financiador das campanhas de inquietação realizadas nas redes sociais.

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David Mendes falava em conferência de imprensa, na qual anunciava já ter enviado um pedido formal ao presidente da Assembleia Nacional para a sua saída do grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), após receber ameaças de morte, sem que a direção do partido tivesse mostrado solidariedade.

Questionado se havia provas da acusação contra Adalberto da Costa Júnior, ele lembrou que é advogado e sabe que não pode processar sem provas. “Se digo que a manifestação do dia 24 (outubro), a manifestação do dia 11 (novembro), a manifestação do dia 4 de fevereiro está marcada, é porque eu tenho provas, porque faço parte do mesmo clube, do povo contatado para fazer a reviravolta ”, disse David Mendes, garantindo que faz parte do clube restrito, sem querer citar os nomes de outros sócios.

O advogado afirmou que não deixará o parlamento e atuará como deputado não inscrito em nenhuma bancada parlamentar, por respeito ao povo que o elegeu, fruto do trabalho eleitoral que realizou para a UNITA. A saída do grupo parlamentar da UNITA, justificou o político, deveu-se a uma profunda reflexão sobre a atitude da direção do partido.

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“O facto de terem sido publicadas no site da UNITA-Bruxelas ameaças directas de morte a um deputado próximo da bancada parlamentar da UNITA, pensei que era muito grave e que a direcção da UNITA devia ter uma posição firme”, referiu, sublinhando que não viu esse apoio da liderança do partido. Segundo o ex-deputado da segunda maior força política do país, a direção do partido assumiu posições firmes em muitos outros casos de ameaças de morte, mas, no caso dele, “em vez de condenar, anunciaram em seu site”.

“Também lamento a forma como o presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, tratou este assunto comigo, achei desrespeitoso, acho que se esqueceu que se tratava de um adulto, de um político e sobretudo de um chefe de família, ( …) mesmo como se estivesse repreendendo alguém, [isso] acelerou a decisão de deixar o grupo parlamentar da UNITA ”, sublinhou. David Mendes sublinhou que o facto de apoiar a campanha eleitoral de Alcides Sakala para a presidência da UNITA fez com que a nova liderança partidária, à qual Adalberto da Costa Júnior ascendeu no ano passado, o tomasse como adversário. “Lamento, porque nunca seria seu adversário, porque não era militante e militante da UNITA.

Em nenhum momento me interessaria ser seu adversário, mas acredito que em uma democracia apoiamos quem achamos conveniente ”, acrescentou. O político, que garante que a filiação ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, partido no poder), está sempre excluída, sempre afirmou que não tinha interesse em ingressar na UNITA, acrescentando que “foram muitas as abordagens, muitos corredores, muita conversa ”, mas nunca manifestou esse interesse porque não aceitava ser militante de base.

David Mendes disse que viu muita pressão no partido para deixar de comentar um programa de televisão (da TV Zimbo), mas, frisou, não foi convidado para fazer “debates políticos”, mas sim para comentar factos. “As pessoas não queriam comentar, queriam debate político, meu entendimento. Esse espaço não é de debate político, mas de comentário político ”, disse, reiterando que“ nunca deve entrar para o MPLA ”, porque a sua luta é de alternância política.

No domingo, o deputado independente anunciou a sua saída do Grupo Parlamentar da UNITA, durante o espaço de análise que protagoniza semanalmente na TV Zimbo, alegando ter sido moralmente ofendido e ameaçado de morte por um grupo de jovens, nas redes sociais, por criticarem o envolvimento da UNITA na tentativa de manifestação de 24 de outubro. Questionado sobre a informação de que o Movimento Revolucionário é contra ele, David Mendes rejeitou, justificando que, na quarta-feira, recebeu o apoio de alguns de seus membros, que disseram não admitir “qualquer ameaça contra o que consideram ser seu pai”. “Existe de fato uma pessoa do Movimento Revolucionário, que está inscrito do Brasil contra mim, mas as pessoas não sabem que essa pessoa está no Brasil estudando com uma bolsa paga pelo Adalberto da Costa Júnior”, disse.

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“Muito do que anda nas redes sociais é pago pelo Adalberto da Costa Júnior e posso provar”, acrescentou. Numa análise comparativa, David Mendes disse que, ao contrário da UNITA, no MPLA se pode escrever qualquer coisa contra o partido ou o seu dirigente, João Lourenço: “não vai ver militantes ou militantes do MPLA a ameaçá-los ou a ofendê-los”. “Mas escreva algo sobre o Adalberto Costa Júnior, sobre a UNITA, você verá que até a ameaça de morte sim, o crime mais elementar sim. Isso não dignifica um partido do tamanho da UNITA ”, disse. No seu discurso, David Mendes deixou claro que não se confronta com o partido, mas sim com o seu dirigente, aquele que o convenceu a ser candidato da UNITA a parlamento, sublinhando que é necessária uma reflexão interna sobre o seu futuro, porque quando membros da comissão política estão suspensos por emitir parecer, “este partido tem que refletir, não se tornar uma ditadura”. David Mendes disse ainda que nunca aceitou a tentativa de obrigar os deputados a escreverem antecipadamente o que vão dizer na Assembleia Nacional e a enviar à mesa para apreciação.