Ambev registra aumento de vendas no 4º trimestre, mas alerta que cerveja ficará mais cara em 2021

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UMA Ambev (ABEV3) conseguiu contornar os efeitos do fechamento de bares e restaurantes, em decorrência das medidas de combate à pandemia covid-19, e registrou aumento no volume de vendas de cerveja em sete dos dez maiores mercados no quarto trimestre.

Mas o que deveria ser comemorado acabou sendo parcialmente ofuscado por uma notícia nada animadora para cervejeiros plantonistas e acionistas: a expectativa de aumento do custo da cerveja no Brasil em 2021.

A fabricante de bebidas encerrou o quarto trimestre com crescimento de 13,4% na receita líquida, em relação ao mesmo período de 2019, em termos orgânicos (excluindo-se os efeitos do câmbio), totalizando R $ 18,5 bilhões. Incluindo os efeitos do câmbio, o aumento foi de 20%.

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O resultado foi ligeiramente superior ao esperado pela maioria dos analistas consultados pela Bloomberg. A média das projeções apontava para uma receita de R $ 18,3 bilhões. Em 2020, a receita totalizou R $ 58,4 bilhões, aumento de 4,7% em termos orgânicos e de 12,3% considerando os efeitos do câmbio.

O lucro líquido da Ambev ao final do ano passado foi beneficiado por um ganho tributário de R $ 4,3 bilhões, decorrente da decisão do Supremo Tribunal Federal de 2017 devido à inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Com isso, o resultado final do balanço totalizou R $ 6,9 bilhões, aumento de 63,3% na comparação anual. Excluindo os itens não recorrentes em 2020 e 2019, totalizou R $ 7 bilhões, um aumento de 51,2%.

No ano, porém, o lucro líquido da Ambev caiu 3,7%, para R $ 11,7 bilhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R $ 8,9 bilhões nos últimos três meses de 2020, estável em termos orgânicos e alta de 29,1% em termos reportados, com avanço de 3,50 pontos percentuais (pp) do ajustado margem em termos reportados e queda de 5,00 em termos orgânicos, para 48,2%.

Estratégia comercial certa

Do lado da receita, a Ambev registrou um aumento de 7,6% no volume vendido mundialmente (cerveja e refrigerantes) e 5,3% na receita líquida por hectolitro (ROL / hl), atingindo 50,9 milhões de hectolitros no quarto trimestre.

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Segundo a empresa, o período foi marcado pela recuperação da receita, depois que os efeitos da pandemia reduziram as vendas.

“A maioria dos países experimentou uma recuperação sustentada de volume desde o segundo trimestre, à medida que as restrições impostas para controlar a pandemia covid-19 começaram a ser gradualmente atenuadas nos mercados onde operamos, com sete dos dez principais mercados apresentando crescimento de volume no ano ”, Diz o balanço.

No Brasil, seu maior mercado, a receita líquida cresceu 19%, atingindo R $ 10,1 bilhões. O volume total de vendas aumentou 10,6%, para 34,7 milhões de hectolitros, com crescimento de 7,6% na receita por hectolitro.

Na cerveja, o volume de vendas aumentou 11,9%, para 26,4 milhões de hectolitros. A receita líquida com vendas de cerveja atingiu R $ 8,7 bilhões, e a receita por hectolitro aumentou 8%.

A Ambev destacou que o desempenho desse segmento foi impulsionado pela implantação de uma nova estratégia comercial, que conseguiu responder às mudanças no comportamento do consumidor, citando o aplicativo de entrega Zé Delivery e a nova estratégia em relação aos pontos de venda, utilizando inteligência para auxiliar os varejistas na escolha dos produtos.

Outro destaque foi o avanço do portfólio de cervejas mais caras, com o volume de vendas das marcas globais crescendo dois dígitos, impulsionadas por Stella Artois e Corona. Ela também destacou o crescimento das vendas da Brahma Duplo Malte.

No segmento de bebidas não alcoólicas, o volume de vendas cresceu 6,6% no trimestre, totalizando 8,3 milhões de hectolitros.

Água na cerveja e cerveja

O aumento do volume de vendas no quarto trimestre foi acompanhado por uma notícia não muito animadora: a Ambev alertou que o custo da cerveja deve aumentar em 2021.

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As projeções da empresa indicam que o custo dos produtos vendidos (CPV, indicador que mede os gastos para produzir e estocar um produto até a sua venda) no negócio de cerveja no Brasil crescerá entre 20% e 23% por hectolitro.

A situação, segundo a empresa, ocorrerá principalmente em função da desvalorização do real em relação ao dólar e da alta dos preços das commodities, que exercerão pressão sobre a margem Ebitda da empresa.

Por outro lado, a empresa destacou que as vendas de cerveja no Brasil começaram bem o ano. Mesmo sem o carnaval, que ajuda muito no desempenho, o volume vendido cresceu 10% no início do ano.